Nove meses depois da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, a investigação chegou à fase decisiva. A Polícia Federal concluiu no início de agosto o inquérito da primeira fase da Operação Compliance Zero e prepara o indiciamento do dono do banco, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do empresário Nelson Tanure, segundo o Metrópoles. O núcleo da acusação: maquiar a saúde financeira do banco para viabilizar a venda ao BRB, inclusive com a negociação de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas ou sem lastro. O relatório final segue para a PGR, que decidirá entre denunciar ao STF ou arquivar.
Vorcaro está preso preventivamente desde março, em Brasília. Suas duas tentativas de delação premiada foram rejeitadas: a PF descartou a primeira em maio, por considerar o material superficial, e a PGR rejeitou a segunda em junho, segundo a CNN Brasil. Em abril, a quarta fase da operação prendeu Paulo Henrique Costa, suspeito de receber R$ 146,5 milhões em propina, na forma de seis imóveis, para favorecer a compra do Master pelo BRB. No fim de julho, relatório da PF ao STF apontou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu vantagens indevidas de sócios do Master, de voos em aeronaves a um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, segundo o Poder360; o senador nega e diz que provará sua inocência.
E o filho do presidente entra onde nessa história?
Com precisão: em lugar nenhum dos autos do caso Master, até aqui. O que existe, publicado pelo Estado de Minas em março, é a apuração de que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria atuado como consultor do grupo Fictor, contratado para aproximar o grupo do governo federal. A Fictor é o grupo que anunciou a tentativa de compra do Banco Master na véspera da primeira prisão de Vorcaro e cujo fundador e um ex-sócio viraram alvos da Operação Fallax, da PF, por suspeita de fraudes contra a Caixa. A defesa de Lulinha nega vínculo de trabalho com a Fictor e afirma que ele vive na Espanha desde 2024. Já os três inquéritos que a PF abriu contra Lulinha em 2026, com autorização do ministro André Mendonça, derivam de outro caso, o dos descontos ilegais do INSS, e apuram suspeitas de tráfico de influência. Ele não é investigado no caso Master, não teve sigilo quebrado nesse caso e, como não existe delação homologada de Vorcaro, qualquer "revelação de delação" circulando nas redes é invenção.
"Que ele faça como eu fiz"
Na sexta-feira (14), em entrevista a podcasts, Lula cobrou celeridade no caso Master: "O que nós esperamos é que a Justiça saia da sua morosidade e entregue logo", disse, segundo o Correio Braziliense. E falou do filho, segundo O Tempo: "Se meu filho tiver culpa, ele pagará". E completou: "Eu quero que ele seja investigado. Não tem problema nenhum. Eu só quero que ele faça como eu fiz".
Está certo o presidente, e a régua serve para todos. Que a PGR decida com rapidez o destino do indiciamento; que as apurações sobre Wagner e sobre Lulinha corram até o fim, com presunção de inocência e sem engavetamento; e que o Congresso pare de dever uma resposta: o pedido de CPMI do Banco Master, protocolado em fevereiro com assinaturas de 42 senadores e 238 deputados, segue sem leitura pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que trata o ato como discricionário da Mesa, depois de o STF, por decisão do ministro Cristiano Zanin, negar mandado de segurança para forçar a instalação. Investigação robusta na PF é bom sinal; Parlamento que se recusa a investigar um banco liquidado com rombo bilionário, às vésperas de uma eleição, é o sinal do que ainda precisa mudar.
Fontes
CNN Brasil: PGR rejeita delação premiada de Daniel Vorcaro (15/06/2026)
Poder360: o que a PF revela das ligações de Wagner com sócios do Master (31/07/2026)
Estado de Minas: Lulinha foi assessor de fundo que tentou comprar o Banco Master (25/03/2026)
Correio Braziliense: Lula cobra celeridade no caso Master (14/08/2026)
Senado Notícias: Pedido de criação da CPMI do Banco Master é protocolado (03/02/2026)
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