VERA LÚCIA - PSTU - GOVERNADOR
VERA LÚCIA é candidato(a) a Governador pelo PSTU em São Paulo (SP) nas Eleições 2026.
VERA LÚCIA PEREIRA DA SILVA SALGADO
Espectro político
Toque em uma faixa para entender o que ela significa
PSTU
Classificação editorial deste site, baseada na atuação NACIONAL do partido no Congresso e no seu programa oficial. Não é dado do TSE e não descreve a pessoa: descreve a legenda pela qual ela concorreu. Em eleições municipais e estaduais, partidos de polos opostos costumam se aliar.
Dados do candidato
- Data de nascimento
- 12/09/1967
- Gênero
- FEMININO
- Estado civil
- CASADO(A)
- Grau de instrução
- SUPERIOR COMPLETO
- Ocupação declarada
- SOCIÓLOGO
- Estado de nascimento
- PE
Informações declaradas ao TSE no registro da candidatura, publicadas nos dados abertos da Justiça Eleitoral.
Evolução e Histórico Político
Evolução da Votação por Eleição
Comparativo: Governador em 2026 (SP)
Votação nominal do candidato ao lado dos três mais votados no mesmo cargo, ano e unidade eleitoral.
2026 - GOVERNADOR
PSTU | UF: SP
Votação Obtida: 75.641 votos (NÃO ELEITO)
2022 - PRESIDENTE
PSTU | UF: BR
Votação Obtida: 25.625 votos (NÃO ELEITO)
2020 - PREFEITO
PSTU | UF: SP
Votação Obtida: 3.052 votos (NÃO ELEITO)
2018 - PRESIDENTE
PSTU | UF: BR
Votação Obtida: 55.762 votos (NÃO ELEITO)
2016 - PREFEITO
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 4.278 votos (NÃO ELEITO)
2012 - PREFEITO
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 20.241 votos (NÃO ELEITO)
2010 - GOVERNADOR
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 8.567 votos (NÃO ELEITO)
2008 - PREFEITO
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 9.143 votos (NÃO ELEITO)
2004 - PREFEITO
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 5.242 votos (NÃO ELEITO)
2002 - VICE-GOVERNADOR
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 0 votos
1998 - VICE-GOVERNADOR
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 0 votos
1998 - VICE-GOVERNADOR
PSTU | UF: SE
Votação Obtida: 0 votos
Declaração Patrimonial Recente
Evolução do Patrimônio Declarado
| Ano | Tipo | Descrição | Valor |
|---|---|---|---|
| 2020 | Terreno | Terreno localizado no município de Nossa Senhora do Socorro-SE | R$ 20.000,00 |
| 2018 | Terreno | R$ 20.000,00 | |
| 2022 | Caderneta de poupança | POUPANÇA OURO NO BANCO DO BRASIL | R$ 8.805,00 |
| Patrimônio total declarado (2018): | R$ 20.000,00 | ||
| Patrimônio total declarado (2020): | R$ 20.000,00 | ||
| Patrimônio total declarado (2022): | R$ 8.805,00 | ||
Prestação de Contas e Gastos
Situação cadastral pública da Receita Federal, via BrasilAPI. Não indica irregularidade na despesa em si, apuração de eventual superfaturamento ou fraude cabe aos órgãos de controle.
Mandato (Gastos CEAP)
Sem despesas de mandato registradas.
Gastos de Campanha
Detalhamento por tipo de despesa
| Tipo de despesa | Total | % |
|---|---|---|
| Publicidade por materiais impressos 2022 | R$ 510.318,80 | 25,7% |
| Serviços prestados por terceiros 2022 | R$ 495.821,23 | 24,9% |
| Serviços advocatícios 2022 | R$ 130.000,00 | 6,5% |
| Despesa com impulsionamento de conteúdos 2022 | R$ 90.000,00 | 4,5% |
| Serviços contábeis 2022 | R$ 35.000,00 | 1,8% |
| Passagem aérea 2022 | R$ 32.752,01 | 1,6% |
| Correspondências e despesas postais 2022 | R$ 13.973,99 | 0,7% |
| Publicidade por adesivos 2022 | R$ 2.400,00 | 0,1% |
| Materiais de expediente 2022 | R$ 725,31 | 0,0% |
| Taxa de administração de financiamento coletivo 2022 | R$ 297,52 | 0,0% |
| Encargos financeiros, taxas bancárias e/ou op. cartão de crédito 2022 | R$ 222,10 | 0,0% |
| Publicidade por materiais impressos 2020 | R$ 55.215,00 | 2,8% |
| Produção de programas de rádio, televisão ou vídeo 2020 | R$ 31.000,00 | 1,6% |
| Serviços advocatícios 2020 | R$ 23.000,00 | 1,2% |
| Despesa com impulsionamento de conteúdos 2020 | R$ 9.500,00 | 0,5% |
| Diversas a especificar 2020 | R$ 4.150,00 | 0,2% |
| Publicidade por adesivos 2020 | R$ 3.200,00 | 0,2% |
| Serviços próprios prestados por terceiros 2020 | R$ 1.900,00 | 0,1% |
| Serviços contábeis 2020 | R$ 250,00 | 0,0% |
| Taxa de administração de financiamento coletivo 2020 | R$ 75,35 | 0,0% |
| Encargos financeiros, taxas bancárias e/ou op. cartão de crédito 2020 | R$ 60,50 | 0,0% |
| Produção de programas de rádio, televisão ou vídeo 2018 | R$ 252.500,00 | 12,7% |
| Serviços prestados por terceiros 2018 | R$ 92.000,00 | 4,6% |
| Publicidade por materiais impressos 2018 | R$ 90.730,00 | 4,6% |
| Publicidade por adesivos 2018 | R$ 67.500,00 | 3,4% |
| Passagem aérea 2018 | R$ 36.321,99 | 1,8% |
| Correspondências e despesas postais 2018 | R$ 5.821,71 | 0,3% |
| Despesa com impulsionamento de conteúdos 2018 | R$ 2.750,72 | 0,1% |
| Despesas com transporte ou deslocamento 2018 | R$ 486,98 | 0,0% |
| Taxa de administração de financiamento coletivo 2018 | R$ 317,75 | 0,0% |
| Encargos financeiros, taxas bancárias e/ou op. cartão de crédito 2018 | R$ 167,20 | 0,0% |
| Total geral | R$ 1.988.458,16 | 100% |
Maiores fornecedores
| Fornecedor | Lançamentos | Total |
|---|---|---|
| Projeto Ip Grafis Soluções Graficas Ltda Me | 84 | R$ 564.725,80 |
| Multidão Comunicação E Produção Ltda Me | 9 | R$ 466.000,00 |
| Albiero· Amaral· Gomes· Vilela Soc De Advogados | 3 | R$ 190.000,00 |
| Wilson Da Silva Barbosa | 1 | R$ 180.000,00 |
| Xisto Sidnei De Carli | 30 | R$ 166.550,00 |
| Facebook Serviços Online Do Brasil Ltda | 7 | R$ 93.500,00 |
| Maiorca Passagens E Turismo Ltda | 74 | R$ 69.560,98 |
| Erika Luciana Andreassy | 1 | R$ 28.000,00 |
| Paulo Roberto Dos Santos Aguiar | 1 | R$ 28.000,00 |
| Edson Alves Da Cruz | 1 | R$ 25.000,00 |
Receitas de Campanha
Doações declaradas pelo próprio candidato/comitê ao TSE. A existência de uma doação não indica irregularidade, financiamento de campanha é lícito e regulado por lei; consulte o Tribunal Superior Eleitoral para o histórico oficial completo.
Por origem
| Tipo de despesa | Total | % |
|---|---|---|
| Recursos de partido político 2022 | R$ 1.331.443,35 | 64,2% |
| Recursos de pessoas físicas 2022 | R$ 22.118,00 | 1,1% |
| Recursos de financiamento coletivo 2022 | R$ 4.427,00 | 0,2% |
| Recursos de outros candidatos 2022 | R$ 750,00 | 0,0% |
| Recursos próprios 2022 | R$ 500,00 | 0,0% |
| Recursos de partido político 2020 | R$ 110.450,00 | 5,3% |
| Recursos de pessoas físicas 2020 | R$ 24.620,00 | 1,2% |
| Recursos próprios 2020 | R$ 1.500,00 | 0,1% |
| Recursos de financiamento coletivo 2020 | R$ 650,00 | 0,0% |
| Recursos de partido político 2018 | R$ 541.971,77 | 26,1% |
| Recursos de pessoas físicas 2018 | R$ 32.625,00 | 1,6% |
| Recursos de financiamento coletivo 2018 | R$ 3.155,00 | 0,2% |
| Total geral | R$ 2.074.210,12 | 100% |
Maiores doadores
| Doador | Lançamentos | Total |
|---|---|---|
| Direção Nacional | 14 | R$ 1.983.115,12 |
| Raimundo Cezar Britto Aragão | 1 | R$ 30.000,00 |
| Rinobox Solucoes Financeiras Ltda | 2 | R$ 4.427,00 |
| Denior Jose Machado | 3 | R$ 3.800,00 |
| Julia Maria De Siqueira Eid | 2 | R$ 3.400,00 |
| Vakinha | 3 | R$ 3.155,00 |
| Narciso Fernandes Soares | 2 | R$ 2.900,00 |
| Silvio Sinedino Pinheiro | 2 | R$ 2.128,00 |
| Vitor Hugo Gonçalves Salgado | 1 | R$ 1.625,00 |
| Veruska Oliveira Tenorio | 3 | R$ 1.615,00 |
Projetos de Lei Apresentados
Não há fonte pública para este cargo. A Câmara dos Deputados e o Senado publicam a atuação apenas dos próprios parlamentares; as assembleias legislativas estaduais e as câmaras municipais não mantêm base equivalente em formato aberto. A ausência de informação aqui não diz nada sobre a atuação desta pessoa.
Presença e Votos em Plenário
Nenhum voto em plenário registrado para este político.
Frequência nas Sessões Ordinárias
Não há fonte pública para este cargo. A Câmara dos Deputados e o Senado publicam a atuação apenas dos próprios parlamentares; as assembleias legislativas estaduais e as câmaras municipais não mantêm base equivalente em formato aberto. A ausência de informação aqui não diz nada sobre a atuação desta pessoa.
Participação em Comissões e Órgãos Legislativos
Não há fonte pública para este cargo. A Câmara dos Deputados e o Senado publicam a atuação apenas dos próprios parlamentares; as assembleias legislativas estaduais e as câmaras municipais não mantêm base equivalente em formato aberto. A ausência de informação aqui não diz nada sobre a atuação desta pessoa.
Situação do registro da candidatura
| Ano | Julgamento | Teto legal de gasto |
|---|---|---|
| 2026 | AGUARDANDO JULGAMENTO | R$ 2.668.320.924,00 |
| 2022 | DEFERIDO | R$ 889.440.308,00 |
| 2020 | DEFERIDO | R$ 5.179.938.368,00 |
| 2018 | DEFERIDO | R$ 70.000.000,00 |
Proposta de governo
Trecho extraído do documento entregue ao TSE, sem resumo nem edição. O texto integral está no arquivo original, pelo botão abaixo.
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
1
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
3
Vera Lúcia Pereira da Silva Salgado,
Vera, é natural de Inajá, cidade localizada no Sertão de Pernambucano. Tem
54 anos, é casada, tem duas filhas e uma neta. É formada em Ciência Sociais pela
Universidade Federal de Sergipe (UFS). Quando menina, seus pais mudaram para
Paulo Afonso, no Sertão da Bahia, em busca de melhores condições de vida e de
garantia de educação aos filhos. Depois, mudaram para Aracaju, capital de Ser-
gipe, cidade onde Vera cresceu, estudou, trabalhou e iniciou sua militânci…
Ler mais do texto
a política.
Desde muito nova Vera precisou trabalhar. Foi datilografa faxineira e garçonete.
Aos 19 anos de idade, passou a trabalhar em uma indústria de calçados, período
em que virou ativista do movimento sindical. Após uma forte greve na categoria,
da qual se destacou como dirigente, ao lado de outras mulhe-
res operárias, entrou para a diretoria do sindicato e depois
para a direção da federação nacional da categoria. Foi
dirigente da CUT Sergipe. Em 2004, rompe com esta
central sindical e ajuda a fundar a Central Sindical e
Popular (CSP) – Conlutas. Ao entrar no movimento
sindical, Vera também passou a militar no PT. Mas
em 1992 rompe com este partido, que já trilhava um
caminho de adaptação à ordem burguesa, e se junta
ao movimento de construção do PSTU, fundado
no ano de 1994. Em Sergipe, Vera foi candidata à
deputada federal, a governadora e a prefeita de
Aracaju. Em 2018, foi candidata à presidên-
cia da República e teve como vice o professor
Hertz Dias, do Maranhão. Juntos, formaram
a primeira chapa 100% negra a disputar à
presidência do Brasil. Em 2020, Vera foi a
primeira mulher negra a disputar à prefei-
tura de São Paulo (SP), cidade onde mora
atualmente. Em 2022, Vera disputou a
presidência da República formando
a primeira chapa negraindígena
ao lado de Künã Yporã Tremembé
(Raquel Tremembé), da etnia Tre-
membé, do Maranhão.
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
4
Renata França
Ao lado de Vera Lúcia, Renata França compõe a chapa do PSTU como candi-
data a vice-governadora de São Paulo. Operária, militante socialista e ativista
do movimento pelo fim da escala 6x1, Renata coloca sua candidatura a serviço da
luta da classe trabalhadora contra a precarização do trabalho, a
retirada de direitos e o avanço da exploração. Sua trajetória
também é marcada pela defesa dos direitos das mulheres
e da população LGBTI+, reafirmando o compromisso da
chapa com um projeto construído ao lado de quem vive
do próprio trabalho, pela superação da exploração e das
opressões e pela construção de uma sociedade socialista.
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
5
Um programa socialista para derrotar
Tarcísio, enfrentar os super-ricos e
retomar São Paulo para os trabalhadores 7
A CRISE DE SÃO PAULO E O
ESGOTAMENTO DO SISTEMA DOS RICOS 11
CONTRA A EXTREMA DIREITA E A
CONCILIAÇÃO DE CLASSES 19
O QUE SÃO PAULO PRECISA? 27
DEMOCRACIA DOS TRABALHADORES
E ENFRENTAMENTO AO PODER DOS
RICOS 43
COMO MUDAR SÃO PAULO:
MOBILIZAÇÃO E GOVERNO SOCIALISTA
DOS TRABALHADORES 47
INDICE
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
7
Um programa socialista para
derrotar Tarcísio, enfrentar
os super-ricos e retomar São
Paulo para os trabalhadores
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
8
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
9
O PSTU apresenta uma candidatura socialista e revolucionária ao governo
de São Paulo para colocar nesta eleição uma alternativa de poder da classe tra-
balhadora e do povo pobre. Não disputamos apenas a troca de governantes ou
uma gestão menos cruel da crise capitalista. Defendemos que é preciso romper
com o sistema, que concentra a riqueza produzida por quem trabalha nas mãos
de banqueiros, multinacionais, grandes empresários e do agronegócio.
São Paulo foi transformado em uma plataforma de negócios para concessio-
nárias, bancos, fundos de investimento e multinacionais. Nossa candidatura
apresenta o caminho oposto: retomar o patrimônio, os serviços públicos e as
decisões sobre o estado para as mãos de quem trabalha. “Retomar São Paulo
para os trabalhadores” será o eixo de um plano geral de desprivatização.
Tarcísio representa o bolsonarismo em São Paulo. A frente ampla com Had-
dad, por sua vez, não oferece uma saída porque aceita governar dentro dos
limites impostos pelos mesmos interesses que sustentam as privatizações, a
dívida pública e a precarização. Nenhum desses setores enfrenta o poder eco-
nômico que organiza São Paulo para o lucro de poucos.
É para apresentar um projeto oposto a esses que o PSTU lança a candida-
tura de Vera ao governo de São Paulo. Operária da indústria calçadista, mulher
negra, nordestina, cientista social e militante socialista, Vera Lúcia representa
uma candidatura construída ao lado dos trabalhadores, da juventude, das
mulheres, da população negra, dos movimentos populares e de todos aqueles
que acreditam que outro projeto de estado é necessário.
Este programa não reúne apenas propostas para uma campanha eleitoral.
Apresenta um projeto para São Paulo construído a partir da realidade vivida
pela população trabalhadora, da experiência das lutas sociais e da convicção de
que a enorme riqueza produzida neste estado deve estar a serviço da maioria, e
não dos interesses de uma pequena elite econômica. São Paulo possui recursos,
conhecimento, capacidade produtiva e um povo trabalhador capaz de construir
um estado mais justo e desenvolvido. O problema de São Paulo nunca foi a falta
Por um governo socialista dos trabalhadores e do
povo pobre em São Paulo
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
10
de riqueza. O verdadeiro desafio é decidir a serviço de quem essa riqueza será
colocada.
Participamos das eleições sem alimentar a ilusão de que a transformação
socialista virá das urnas. Apresentamos candidaturas para dar voz às lutas,
denunciar os interesses que os grandes partidos escondem, ajudar a organizar
trabalhadores e trabalhadoras e construir uma alternativa socialista que com-
bata a extrema direita e seja independente dos governos de conciliação. Cada
voto em nosso programa deve servir ao fortalecimento das greves, ocupações e
movimentos populares.
Nossos mandatos, se eleitos, estarão subordinados às decisões coletivas e
receberão salário equivalente ao de uma trabalhadora qualificada. Defende-
mos que a riqueza, a infraestrutura, a tecnologia e as decisões sobre o estado
passem para as mãos de quem trabalha. Este programa é uma proposta de
independência de classe, mobilização e ruptura: por um governo socialista dos
trabalhadores e do povo pobre, baseado na democracia direta e na auto-orga-
nização popular.
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
11
01
A CRISE DE SÃO PAULO
E O ESGOTAMENTO DO
SISTEMA DOS RICOS
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
12
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
13
Um estado rico para poucos
Embora São Paulo concentre riqueza, indústria, tecnologia e infraestru-
tura, a maioria esmagadora de sua população vive sob profunda precarização,
enfrentando baixos salários, transporte caótico, violência crônica e falta de
moradia. Esse contraste escancara que, enquanto os serviços públicos estão
completamente sucateados, o estado é responsável por concentrar aproxima-
damente 1/3 do PIB brasileiro tendo apenas 1/5 da população nacional.
Caso fosse um país autônomo, São Paulo figuraria como a 21ª maior econo-
mia do mundo, com um PIB de US$ 603,4 bilhões que supera o da Argentina.
Contudo, esse abismo social revela que a opulência paulista serve exclusiva-
mente aos ricos; afinal, ao mesmo tempo em que o povo amarga com baixos
salários e informalidade, a capital paulista ascendeu para a 12ª posição no cir-
cuito das maiores capitais de luxo do planeta.
Essa contradição interna é fruto direto da decadência do capitalismo nacio-
nal. Sofrendo uma desindustrialização relativa profunda, o modelo econômico
atual substituiu a antiga base fabril de alta tecnologia por setores de menor
valor agregado. Setores históricos e estratégicos, como o automotivo, o meta-
lúrgico (-29,22%) e o eletroeletrônico (-55,11%), perderam espaço para o avanço
da indústria química (+54,33%), de alimentos e do agronegócio (+94,76%).
Embora o avanço do agronegócio paulista produza lucros recordes, essa
riqueza permanece concentrada nas mãos de grandes proprietários, bancos
e corporações multinacionais. A dimensão desse poder econômico pode ser
observada na JBS: sua receita global de 2025, convertida em reais, superou o
orçamento total do Estado de São Paulo para 2026. Não se trata, portanto, de
falta de riqueza, mas de seu controle por empresas que organizam a produção
segundo os interesses do mercado mundial e da exportação.
Essa dependência combina desindustrialização relativa, financeirização e
expansão de formas precárias de trabalho. Em vez de investir na diversificação
produtiva e na criação de empregos estáveis, o capital avança sobre a logística,
a terceirização, as plataformas e os aplicativos, transferindo custos e riscos aos
trabalhadores. Assim, a redução da taxa oficial de desemprego não significa o
fim da precarização: milhões continuam submetidos à informalidade, à ins-
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
14
tabilidade, a baixos salários e à ausência de proteção social. Esse modelo de
exploração caminha junto com a concentração fundiária, o uso intensivo de
agrotóxicos, a destruição de mananciais e a expansão predatória sobre o ter-
ritório paulista.
Cajamar sintetiza esse novo modelo. Apresentada pela própria prefeitura
como a “Disney dos galpões”, a cidade teve expansão acelerada dos centros
logísticos e crescimento superior a 900% dos empregos ligados a galpões. Mas
a cidade é organizada prioritariamente para a circulação de mercadorias das
multinacionais, com pressão sobre moradia, trânsito, água, áreas verdes e ser-
viços públicos. Parte dos empregos é terceirizada, marcada por metas intensas,
alta rotatividade e salários baixos. A riqueza atravessa Cajamar em caminhões
e plataformas, enquanto as necessidades de quem mora e trabalha no municí-
pio ficam em segundo plano.
São Paulo como laboratório neoliberal
Para garantir esse cenário de privilégios, sucessivos governos transforma-
ram o estado em um verdadeiro laboratório neoliberal, aplicando privatiza-
ções e Parcerias Público-Privadas (PPPs) que dilapidam o patrimônio público e
entregam à iniciativa privada infraestruturas prontas, inteiramente custeadas
pelo imposto do trabalhador. O caso do transporte metroferroviário expõe per-
feitamente essa lógica: linhas da CPTM e do Metrô foram concedidas a consór-
cios como o Grupo CCR, que acumula taxas de lucro astronômicas enquanto
submete a população a tarifas altas e serviços precarizados. Enquanto isso, o
Estado segue drenando recursos públicos através de subsídios bilionários para
blindar o lucro desses empresários.
Essa sangria dos cofres públicos repete-se de forma contínua por meio da
terceirização, que desvia bilhões de reais para empresas privadas, e do endi-
vidamento público de R$ 250 bilhões, cujo pagamento de juros e amortizações
alimenta diretamente o capital especulativo dos bancos. Ao sufocar o orça-
mento para remunerar o mercado financeiro, essa política estrangula os inves-
timentos sociais básicos. Como resultado, as verbas proporcionais para saúde,
educação e transporte caem seguidamente e as despesas com o funcionalismo
público sofrem reduções severas.
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
15
Quem fica com o orçamento de São Paulo?
São Paulo terá em 2026 um orçamento de R$ 382,3 bilhões, contra R$ 372,45
bilhões em 2025. O aumento de cerca de 2,6% é apenas nominal e corresponde,
descontada a inflação, a uma queda real próxima de 1,7%. A questão decisiva
não é apenas quanto o Estado arrecada, mas quem define as prioridades e
quem se apropria da riqueza produzida.
A distribuição das verbas evidencia essas escolhas. Para 2026, a Secretaria
de Desenvolvimento Urbano e Habitação fica com R$ 2,2 bilhões, queda nomi-
nal de 28,8% em relação a 2025. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura
e Logística perde 18,5% e passa a contar com R$ 8,9 bilhões. A Secretaria de
Políticas para as Mulheres recebe apenas R$ 30,6 milhões, redução de 15,46%,
justamente quando a violência contra as mulheres exige ampliação da rede de
proteção. Enquanto isso, a Casa Civil tem aumento nominal de 71,9% e a Con-
troladoria Geral do Estado, de 61,8%.
Essa lógica não começou agora. Entre 2013 e 2021, a arrecadação estadual
cresceu 55%, inclusive atravessando períodos de crise. Mesmo assim, caiu pro-
porcionalmente a parcela destinada a áreas essenciais. Em 2021, cerca de R$
20 bilhões foram direcionados a atividades terceirizadas e valor semelhante
ao pagamento de juros e amortizações da dívida. A dívida paulista terminou
aquele ano em torno de R$ 250 bilhões, apesar dos pagamentos contínuos.
Entre 2025 e 2026, o orçamento estadual da saúde passou de R$ 36,4 bilhões
para R$ 37,9 bilhões, crescimento nominal de 4,1%, enquanto a verba da Secre-
taria da Educação aumentou de R$ 32,8 bilhões para R$ 33,3 bilhões, apenas
1,5%. Como o orçamento total do Estado cresceu 2,6%, a educação perdeu par-
ticipação relativa, passando de aproximadamente 8,81% para 8,71% do total.
Descontada a inflação, o aumento anunciado representa redução real na edu-
cação e quase estagnação na saúde. Isso demonstra que o crescimento nominal
das verbas não garante a ampliação dos serviços públicos nem a valorização de
seus trabalhadores.
Além disso, o valor global destinado à saúde não revela quem controla e exe-
cuta os serviços. Em 2026, R$ 9,25 bilhões, aproximadamente 24,4% do orça-
mento da área, estão reservados a unidades gerenciadas por Organizações
Sociais de Saúde, entidades privadas mesmo quando formalmente constituí-
das sem fins lucrativos. Outros R$ 8,40 bilhões financiam unidades contrata-
das ou conveniadas, reunindo diferentes tipos de prestadores. A privatização,
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
16
portanto, não ocorre somente pela venda de hospitais: avança silenciosamente
quando hospitais estaduais passam a depender de trabalhadores contratados
pelas OSSs, transferindo para entidades privadas a gestão, a contratação da
força de trabalho e uma parcela crescente dos recursos públicos. A divisão de
responsabilidades no SUS tampouco pode servir de desculpa para a omissão
estadual. Ainda que UBSs, equipes de Saúde da Família e grande parte dos
CAPS sejam administrados pelos municípios, cabe ao Estado organizar e finan-
ciar a rede regional, manter hospitais e serviços especializados, apoiar técnica
e financeiramente as prefeituras e garantir que o acesso a consultas, exames e
tratamentos não dependa do município onde a pessoa vive.
Esse mecanismo combina arrocho nos serviços públicos, transferência de
recursos para empresas terceirizadas, concessões e parcerias público-privadas
e prioridade ao sistema da dívida. O resultado é conhecido por quem depende
do Estado: escolas e hospitais sobrecarregados, falta de moradia popular,
transporte caro e precário, abandono das políticas ambientais e uma rede insu-
ficiente de proteção às mulheres.
Não aceitamos a chantagem de que faltam recursos para atender às necessi-
dades da maioria. Há recursos; eles estão submetidos às prioridades dos gran-
des empresários, bancos, concessionárias e fundos de investimento.
Barbárie capitalista: superexploração, feminicídio e genocídio negro
Essa decadência econômica cobra seu preço diretamente na segurança e na
vida de quem vive do trabalho. Em um contexto de crise, o capitalismo amplia
a exploração recorrendo ao racismo, ao machismo e à xenofobia para rebai-
xar salários e intensificar a superexploração da força de trabalho. As mulhe-
res seguem recebendo, em média, cerca de R$ 1.000 a menos que os homens,
mesmo exercendo atividades de igual valor, evidenciando que sua força de tra-
balho continua sendo sistematicamente desvalorizada. Ultrapassando a esfera
econômica e alimentando uma cultura misógina violenta, que se escancara no
aumento alarmante dos índices de feminicídio no estado. Apenas nos cinco
primeiros meses de 2026, foram registrados mais de 154 mil casos de violência
doméstica, uma média superior a mil mulheres agredidas por dia, e 124 femi-
nicídios, um aumento de cerca de 16% em relação ao mesmo período de 2025.
A população negra não é um setor à margem de São Paulo: é parte decisiva
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
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da classe trabalhadora que constrói e mantém o estado. Pretos e pardos repre-
sentam aproximadamente 41% dos paulistas, cerca de 18 milhões de pessoas, e
estão desproporcionalmente concentrados nos empregos terceirizados e pre-
cários, nas periferias sem saneamento, entre as vítimas da violência policial e
nas escolas e serviços públicos mais sucateados. O racismo rebaixa salários e
amplia a exploração.
A mesma lógica explora e divide os trabalhadores imigrantes e refugiados
que ajudam a produzir a riqueza paulista. Bolivianos, haitianos, venezuelanos,
senegaleses, guineenses, latino-americanos e asiáticos enfrentam informa-
lidade, barreiras linguísticas, xenofobia e, em setores como confecção, cons-
trução, logística e trabalho doméstico, condições degradantes ou análogas à
escravidão.
Diante de salários de fome e do encarecimento do custo de vida, a classe
trabalhadora é obrigada a recorrer ao cartão de crédito, ao cheque especial e
a empréstimos consignados apenas para comprar comida, pagar o aluguel e
sobreviver. Muitos caem na armadilha das Bets. O endividamento das famílias
operárias transformou-se em um mecanismo permanente de espoliação, onde
os juros abusivos cobrados pelos grandes bancos funcionam como um verda-
deiro pedágio sobre o suor do trabalhador. A vida da população é sequestrada
pela inadimplência e pelo medo do desemprego, enriquecendo a mesma mino-
ria de banqueiros que lucra com a dívida pública do Estado.
Esse cenário de barbárie social faz com que o sucateamento do Estado cami-
nhe de mãos dadas com o avanço da criminalidade urbana. O crime organi-
zado expandiu sua influência territorial e econômica a ponto de se fundir às
instituições oficiais, operando seus esquemas financeiros diretamente nos
escritórios luxuosos da Faria Lima. Diante disso, a militarização das perife-
rias patrocinada pelo Estado não desenha uma solução para o problema social;
pelo contrário, ela atua como um braço repressivo de contenção que resulta no
genocídio do povo negro e periférico.
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
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PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
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02
CONTRA A EXTREMA
DIREITA E A CONCILIAÇÃO
DE CLASSES
PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
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PROGRAMA ELEITORAL ESTADUAL – SÃO PAULO 2026
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O Governo Tarcísio, o bolsonarismo em São Paulo
O governo de Tarcísio de Freitas consolidou-se como a principal expres-
são e a vanguarda do bolsonarismo no estado de São Paulo, representando
um projeto político de extrema direita nitidamente ultraliberal, repressivo e
subordinado aos interesses do grande capital financeiro. Sob a falsa roupagem
de uma gestão técnica e desenvolvimentista, essa administração combina de
forma agressiva a privatização em massa do patrimônio público, a destruição
sistemática dos serviços essenciais e ataques frontais aos direitos históricos da
classe trabalhadora. Longe de ser uma alternativa de modernização, o governo
paulista atua como um comitê de negócios para multinacionais e grandes ban-
cos, aprofundando o rebaixamento das condições de vida do povo para garantir
a maximização do lucro privado.
O desmonte dos serviços públicos e a entrega do patrimônio
Essa ofensiva neoliberal tem como alvo prioritário a educação pública, alvo
histórico do bolsonarismo. Através de cortes orçamentári
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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS – 2022
UM PROGRAMA SOCIALISTA PARA O BRASIL!
1. EM QUE SITUAÇÃO ESTAMOS?
Estamos vivendo uma situação terrível no país e no mundo. A fome e o desemprego
crescem nos bairros populares. Quarenta e cinco milhões de pessoas passam fome nesse
momento, vinte por cento da população brasileira. Mais da metade (55%) do povo
brasileiro sofre de insegurança alimentar, ou seja, não tem segurança se vai poder
comer no futuro próximo (dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e
Segurança Alimentar e Nutricional).
Existem milhões de trabalhadores…
Ler mais do texto
sem emprego ou com empregos informais, sem saber
como garantir comida para sua família. A precarização do trabalho é uma expropriação
dos direitos básicos dos trabalhadores como trabalho regular, férias, décimo terceiro,
aposentadoria. A uberização é uma espécie de escravidão moderna, trazendo a miséria
e a insegurança mesmo para os empregados. Não existe mais nenhuma segurança dos
trabalhadores em relação ao futuro, menos ainda para os jovens.
O desemprego massivo- o chamado exército operário de reserva- é uma arma da
burguesia para chantagear os trabalhadores empregados com a demissão.
Os salários são baixíssimos, gerando superlucros para a grande burguesia. As empresas
conseguiram no Brasil em 2020 uma taxa de mais valia (lucro bruto em relação a
remuneração paga aos trabalhadores) de 284,7%2 [dados do ILAESE].
A inflação, em particular com o aumento nos preços dos alimentos e combustíveis
determina um rebaixamento do nível de vida, ao diminuir o poder de compra dos
salários.
Esses são sinais de barbárie na situação dos trabalhadores, produtos do capitalismo.
A pandemia matou 600 mil pessoas em números oficiais, na realidade muito mais. São
mães, pais, esposas, esposos, filhas e filhos. Cento e trinta mil crianças ficaram órfãs na
pandemia. Perdas irreparáveis que ficarão como cicatrizes para sempre de dois anos de
genocídio capitalista. Bolsonaro atrasou conscientemente a vacinação para impor a
contaminação massiva, com a morte dos mais frágeis e chegar assim, pelo genocídio, à
“imunidade de rebanho”. Além disso, garantiu uma corrupta manobra de
superfaturamento das vacinas.
2
A origem da pandemia tem a ver com uma agressão ao meio ambiente feita pelas
grandes empresas, com a ruptura do equilíbrio ecológico pela exploração das florestas.
O último Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre mudanças Climáticas),
indica que a temperatura da Terra foi elevada em um grau na era industrial capitalista,
correndo o risco de ultrapassar 1,5 graus de 2030 a 2050. Isso significa que a exploração
capitalista desenfreada aproxima o planeta de lesões irreversíveis ao meio ambiente, já
se traduzindo nas mudanças climáticas que estamos vendo, com secas, enchentes,
ondas de altas temperaturas, etc.
Tanto a pandemia como esse aumento da temperatura são sinais de barbárie crescentes
no meio ambiente, também produtos do capitalismo.
Mais crises econômicas virão. Outras pandemias virão. A barbárie não é uma
possibilidade futura. Já existem elementos de barbárie hoje que vão crescer ano após
ano com a continuidade do capitalismo.
O capitalismo funciona ao redor do lucro das grandes empresas. Para reagir a queda na
taxa de lucros, o capitalismo reage aumentando a exploração dos trabalhadores e a
degradação da natureza para elevar de novo os lucros.
Por isso, não existe nenhuma possibilidade de “humanização” do capitalismo, como
defendem os reformistas. Não se pode mudar a essência do sistema, e sim romper com
ele.
A polarização social crescente leva a choques cada vez maiores entre revolução e contra
revolução em todo o mundo. A bronca dos trabalhadores e da juventude explode por
vezes com grandes mobilizações, como aconteceu no Chile em 2019, nos EUA no ano
passado, ou na Colômbia no início de 2021. Está se acumulando uma revolta muito forte
que muitas vezes não aparece na superfície.
A burguesia reage com mais repressão e golpes. Ou ainda com “respostas democráticas”
de alternativas burguesas ou reformistas como Biden, Fernandez (Argentina), Castillo
(Peru) e Lula, para canalizar essa revolta para o terreno sem saída das eleições. Essas
“alternativas”, uma vez no poder, se demonstram novas decepções para os
trabalhadores.
No Brasil, a insatisfação está aumentando fortemente contra o governo Bolsonaro que,
apoiado por esse congresso, “passou a boiada”, atacando duramente os direitos dos
trabalhadores com as reformas trabalhista e da previdência.
Começam a crescer no país as mobilizações populares, colocando na ordem do dia botar
para fora já o genocida e todo seu governo. Existem greves, lutas da juventude,
movimentos populares, mobilizações do funcionalismo público, a ocupação de Brasília
pelos indígenas. Muitas dessas lutas são freadas pelas burocracias sindicais da CUT e
Força Sindical.
Fazer corpo mole na luta pelo “Fora Bolsonaro” hoje, esperando derrotá-lo só nas
eleições de 2022, como vemos setores da esquerda fazer, é uma política criminosa, pois
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ignora a tragédia imposta à população agora. É também perigosa, porque subestima o
perigo que representa um governo que trabalha todos os dias para implantar uma
ditadura no país.
Colocar para fora Bolsonaro já é o desafio mais urgente que a classe trabalhadora tem
neste momento. Por isso, é necessário seguir fortalecendo uma ampla unidade de ação
na luta para continuar ocupando as ruas.
É hora das direções das grandes centrais sindicais e dos partidos de oposição se
lançarem a construir uma greve geral, parar as fábricas e as grandes empresas. Só
parando o país, atacando diretamente o lucro dos patrões, se pode obrigar as grandes
empresas a retirar a sustentação que ainda dão a Bolsonaro.
No mesmo sentido é fundamental desenvolver a autodefesa das massas, para enfrentar
a ultradireita e qualquer tentativa golpista do genocida.
Por outro lado, esse cenário também reafirma a necessidade e a importância de uma
alternativa socialista à barbárie promovida pelo capitalismo. Por isso, ao mesmo tempo
que lutamos para colocar para fora Bolsonaro e Mourão, não podemos perder de vista
a necessidade de acabar com o capitalismo. Mais do que nunca, é necessário levantar
bem alto a bandeira do socialismo e da revolução.
Os partidos da burguesia, assim como o PT e a maioria da direção do PSOL, apostam nas
eleições para canalizar e neutralizar a insatisfação dos trabalhadores e da juventude.
De fato, em 2021 já vivíamos no Brasil uma antecipação da campanha eleitoral deste
ano. Bolsonaro está em franca campanha para reeleição, deste 2021. Setores do
empresariado buscaram viabilizar uma “via de centro” ou “terceira via”. Na outra ponta,
a direção do PT apresenta Lula como a candidatura de uma frente ampla com a
burguesia contra Bolsonaro.
Sabemos que Lula e Bolsonaro não são as mesmas coisas. Bolsonaro defende a
implantação de uma ditadura no país e não se pode subestimar a importância de
derrotá-lo. Mas isso não nos desobriga de constatar que nenhuma das alternativas
burguesas atende aos interesses da classe trabalhadora. Lula está construindo a sua
alternativa em aliança com os mesmos empresários e políticos corruptos que
governaram junto com Bolsonaro.
Todas essas alternativas, portanto, mantém o sistema capitalista e, com ele, toda
exploração e opressão contra a classe trabalhadora e o povo pobre. Para governar o
país, não serve o mesmo critério de unidade ampla que é necessário para a luta contra
Bolsonaro.
É fundamental o critério da independência de classe. Nós defendemos uma alternativa
dos trabalhadores, independente da burguesia. Nós defendemos uma alternativa
socialista e revolucionária.
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2. O IMPERIALISMO IMPÕE A RECOLONIZAÇÃO E A DECADÊNCIA DO PAÍS
A submissão do país ao imperialismo -aos países ricos que dominam o sistema capitalista
mundial- está impondo uma decadência cada vez maior, uma recolonização do país.
Por determinação dos interesses econômicos imperialistas, o país foi rebaixado um
degrau na divisão mundial de trabalho. O Brasil está perdendo peso industrial, com uma
desindustrialização relativa cada vez mais intensa.
A produção industrial no país caiu 43,8% em 40 anos, enquanto crescia 6,6% no mundo.
Cada vez mais o país perde setores industriais e desloca a produção para alimentos e
minerais para o mercado mundial.
Algumas pessoas entendem o imperialismo como algo fora do país. Mas não é assim. O
imperialismo é o capitalismo mundial na época atual. A dominação imperialista vem dos
países dominantes do sistema (donos dos maiores bancos, fundos de investimentos,
bancos), mas está presente hoje, aqui no Brasil, em todos os momentos, determinando
a miséria dos trabalhadores, a decadência do país.
A burguesia brasileira é completamente associada e submissa as grandes multinacionais.
Os grandes fundos financeiros estrangeiros têm um patrimônio no Brasil de 6 trilhões
de reais, 80% do PIB do país. Controlam grande parte das grandes industriais, bancos,
agronegócio e comércio. Isso inclui empresas como a Petrobras que, apesar de estatal,
é dirigida pelos interesses desses grupos, que controlam partes importantes de suas
ações.
As multinacionais vendem mercadorias no valor de 58% do PIB brasileiro. Só nos últimos
8 anos enviaram U$ 370 bilhões de dólares para fora, entre lucros e dividendos (dados
do ILAESE).
.
Esse dinheiro poderia ter sido reinvestido no país revertendo a decadência atual. Isso
sem falar nos recursos que são canalizados para fora do país através do “pagamento”
da Dívida Pública (interna e externa).
3. OS DE CIMA SOBEM, OS DE BAIXO DESCEM
Não é verdade que “todos sofrem” na crise. Enquanto os de baixo descem, os de cima
sobem ainda mais em todo o mundo.
As grandes empresas ficaram maiores e mais ricas nesses dois anos de pandemia. Sob o
argumento da “crise”, aproveitaram para “passar a boiada” e impor um grau de miséria
chocante aos trabalhadores e ao povo pobre, aumentando o desemprego, rebaixando
salários, precarizando os vínculos de quem trabalha.
Apenas alguns milhares de pessoas- os bilionários donos e acionistas majoritários das
grandes empresas- enriqueceram às custas da miséria dos quase oito bilhões de
habitantes do planeta. Um por cento da população- os mais ricos- possuem 45,8% de
toda a riqueza mundial, enquanto 55% dos adultos têm apenas 1% da riqueza.
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Em um único dia Jeff Bezos, dono da Amazon, ganhou 12,6 bilhões de dólares, o que
seria suficiente para pagar um salário-mínimo a 60 milhões de brasileiros.
No Brasil, o número de bilionários também aumentou nesses dois anos. Hoje existem
315 bilionários no país, 42 surgidos durante a pandemia. No total, acumulam um
patrimônio de 1,9 trilhões de reais. Entre eles estão os donos dos bancos Safra, Pactual,
Garantia; de grandes indústrias, como a Ambev; empresas do agronegócio como a
família Ometo (COSAN); de comercio como Luiza Trajano (Magazine Luiza). Com o
dinheiro desses bilionários hoje se poderia dar um salário-mínimo mensal aos 92,1
milhões de desempregados e subempregados por um ano e meio.
Essa é a síntese da barbárie em que vivemos: 315 bilionários de um lado e do outro 92,1
milhões de desempregados e subempregados. A grande burguesia, os bilionários, são
uma ínfima minoria, que caberia num salão de festas. Mas mandam no país e
determinam a miséria da grande maioria da população e a degradação irreversível do
meio ambiente.
Os trabalhadores, mesmo empregados, não têm nenhuma segurança em relação ao
futuro. Os pequenos comerciantes vão a falência. A fome cresce nos bairros populares.
Se as grandes empresas fossem tiradas das mãos dessa grande burguesia e colocadas a
serviço das necessidades do povo se poderia, aí sim, mudar esse país.
4. NÃO TEMOS NADA A VER COM A “DEMOCRACIA” DOS RICOS
A democracia burguesa é uma farsa. Na verdade, é uma ditadura da grande burguesia
disfarçada por eleições periódicas.
As grandes empresas e bancos controlam as mídias, os grandes partidos, o parlamento.
Financiam os partidos da “situação” e quase a totalidade da “oposição” e depois
controlam seus programas de governo. Os governos são diferentes, mas os grandes
setores da burguesia mandaram no governo Bolsonaro e seguirão mandando em um
possível governo Lula.
O estado burguês recorre cada vez mais à violência contra as lutas dos trabalhadores e
contra os setores mais pobres da sociedade. Vem daí a criminalização da pobreza e a
violência contra a juventude pobre e negra na periferia das grandes cidades.
As instituições do Estado não estão a serviço de “todos”, nem da proteção do povo. São
os braços armados a serviço da proteção dos interesses dos ricos e poderosos, das
grandes empresas privadas.
A corrupção está presente em todas as instituições. As grandes empresas corrompem
parlamentares, juízes, governos. Os partidos são, muitas vezes, associações de bandidos
interessados no controle das verbas públicas.
Nessa “democracia”, os espaços democráticos são cada vez mais restringidos. Os
trabalhadores são impedidos de se organizar nos locais de trabalho e vivem uma
verdadeira ditadura dentro das empresas. As dificuldades impostas pela lei ao
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funcionamento dos pequenos partidos de oposição, os que são ideológicos e
independentes dos capitalistas, são cada vez maiores. Se impõem novas leis
“antiterroristas”, para atacar o livre direito de manifestação.
Agora se organizou a nível nacional a ultradireita, à sombra do governo Bolsonaro.
Existem grupos semifascistas e fascistas, milícias armadas, que podem ser bases
militares para uma tentativa de golpe de Bolsonaro. E também podem ser armas usadas
pela burguesia para atacar as greves e mobilizações dos trabalhadores.
Essa “democracia” dos ricos não é a nossa democracia. Constatamos como os partidos
de origem nos trabalhadores, como o PT, se adaptaram a esse regime passando a
depender das verbas do estado. Nós defendemos as liberdades democráticas, mas não
a democracia burguesa.
Só defenderemos esse regime no caso de uma tentativa de golpe militar. Os
trabalhadores e a juventude devem defender as liberdades democráticas contra todas
as tentativas de repressão das lutas. Denunciamos e exigimos a punição dos crimes
cometidos contra a população por membros de forças policiais e militares. Defendemos
o desmantelamento completo de todo o aparato repressivo contra o povo e a revogação
das leis repressivas.
Exigimos medidas democrático radicais como a equiparação dos salários dos políticos
aos de um professor, e a revogabilidade dos mandatos dos parlamentares.
Por outro lado, é necessário organizar a autodefesa, pelos próprios trabalhadores, das
suas lutas e organizações contra os ataques das polícias e dos paramilitares da
ultradireita. Esta é uma tarefa urgente que deve ser tomada pelos sindicatos, pelos
movimentos populares, pelas organizações da juventude, associação de moradores, etc.
É necessário também ter política para os setores armados do Estado. Devemos chamar
permanentemente os policiais a se negarem a reprimir as lutas dos trabalhadores.
Defendemos a desmilitarização das PMs, e a liberdade de organização sindical. Exigimos
que seja a população a eleger os comandantes e delegados.
5. A NECESSIDADE DE UMA NOVA DIREÇÃO PARA OS TRABALHADORES
Os(as) trabalhadores(as) são os que constroem o país, e por isso devem também dirigi-
lo. Mas existe uma enorme trava para avançar nesse sentido, que são as direções
reformistas. Por isso existe um grande ceticismo dos trabalhadores e jovens em relação
aos partidos e aos sindicatos.
A maior parte dos partidos só buscam o voto em épocas eleitorais, afundados na
corrupção, sem nenhum compromisso real com as necessidades e lutas dos
trabalhadores. O rechaço aos “políticos” é uma expressão desse desencanto.
Os sindicatos estão cada vez mais atrelados ao estado burguês, e as burocracias sindicais
associadas as burguesias locais. As burocracias sindicais têm projetos políticos
partidários eleitorais de colaboração com os diversos setores burgueses.
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Em geral os jovens olham para os sindicatos dirigidos por burocracias e não sentem que
são seus organismos, mas parte de “tudo que está aí”, sem nada a ver com eles.
A direção do PT, as burocracias da CUT, da Força Sindical, as correntes reformistas são
responsáveis por essa situação. É necessário fazer uma verdadeira revolução política
contra essas direções reformistas. É preciso construir uma nova direção para o
movimento de massas no Brasil.
Nós defendemos que sejam os trabalhadores a dirigir o país. E isso começa pelo local de
trabalho, ou seja, pelo controle dos trabalhadores sobre as empresas. Defendemos a
auto-organização dos trabalhadores pela base em todos os setores.
Além disso, para que os trabalhadores possam fazer uma revolução e tomar o poder, é
necessário construir uma nova direção disposta a isso. Por isso defendemos novas
direções para os sindicatos e uma reorganização do movimento de massas, com novos
organismos de luta que expressem a realidade das bases.
Por isso, defendemos novas direções políticas para os trabalhadores e jovens, rompendo
com as direções reformistas e burocráticas. E queremos fazer um chamado aos
trabalhadores para que assumam essa auto-organização, e construamos juntos essa
nova direção para suas lutas.
6. A BURGUESIA GOVERNA JUNTO COM BOLSONARO. POR QUE APOIAR
QUE CONTINUE GOVERNANDO DEPOIS DE BOLSONARO?
É preciso derrubar Bolsonaro, e para isso defendemos a unidade na ação direta com
todos os setores, inclusive burgueses. Mas outra coisa completamente diferente é
aceitar um governo junto com a burguesia, como propõe Lula.
A burguesia multinacional e nacional no Brasil, só está interessada na manutenção dos
seus lucros e privilégios de classe, por isso vai impor a continuidade e o aprofundamento
dos elementos de barbárie já existentes, seja qual for o governo burguês eleito. Vai
variar a forma, uma parte das medidas será diferente. Mas a superexploração dos
trabalhadores, a destruição das forças produtivas, a degradação do meio ambiente e os
ataques irão continuar.
Por isso, a independência política dos trabalhadores em relação a todos os setores da
burguesia é necessária. A construção de frentes com a burguesia e o discurso de que
é possível “governar para todos”, só servem para enganar os trabalhadores e manter a
dominação burguesa. Somente uma saída socialista e revolucionária pode mudar o país
e colocar suas riquezas à serviço da nossa classe.
7. AS DISTINTAS EXPLICAÇÕES E SAÍDAS PARA A CRISE
Mas, qual é a saída?
A burguesia e seus propagandistas falam da crise e da pandemia como se não tivessem
responsabilidade nelas. Como se fossem produtos da natureza. E apontam saídas
individuais para os jovens e trabalhadores como alternativas “realistas”.
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Uma delas é o empreendedorismo, montar seu próprio negócio. No entanto, está
comprovado que a maioria das pequenas empresas está indo à falência, trazendo mais
miséria e desemprego.
Outra saída individual apontada pela burguesia é que “basta estudar, e você vai subir na
vida”. Mas, com o desemprego e os baixos salários, isso não adianta. A metade mais
pobre do país aumentou 27% seus anos de estudo nos últimos dez anos, enquanto sua
renda caiu 26,2%.
Outra ideologia da burguesia é a de “vestir a camisa da empresa”. Isso só serve para
tentar dividir os trabalhadores, e evitar a luta coletiva contra os patrões.
A ultradireita, por outro lado, se aproveita da radicalização e do desespero existente,
para colocar a culpa da crise nos negros, mulheres, estrangeiros, LGBTIs, “comunistas”,
etc. Todos, menos os homens brancos de direita e a burguesia. Essa visão de mundo
serve para dividir os trabalhadores e ajudar a
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